Dublin, Irlanda
a 1.450 km de casa...
Sentada naquele banco de jardim, junto à entrada da Christ Church Cathedral, com o céu a abrir-se num azul intenso e luminoso e as flores a inundarem de cor o espaço, lembro-me de pensar, enquanto o tempo parecia diluir-se naquele breve instante, que Dublin era, de facto, uma cidade surpreendente. Talvez tenha sido um dos destinos que até à data mais me surpreendeu. Não por não ter correspondido às expectativas que tinha criado ou por se ter revelado diferente do que eu a imaginava. Dublin foi tudo aquilo que eu antevia. Vibrante e cheia de carisma, a cidade mantém ainda hoje um certo carácter intimista que lhe confere um charme particular. Nas mesmas ruas em que se erguem majestosas catedrais ou preciosos edifícios georgianos há casas de habitação com vasos pendurados nas varandas e gatos à janela, há vida dentro, e esse será sempre o melhor atributo de uma cidade, a dimensão humana, que, no caso de Dublin, a torna fácil de explorar e de sentir. Gonçalo Cadilhe diz, a certa altura, no seu Planisfério Pessoal, que para ele a viagem é um catalisador do destino. Obriga a que aconteçam coisas. Talvez para mim cada viagem seja, afinal, um catalisador de emoções. Obriga-me a confrontar novos sentimentos a cada passo ou novas formas de os viver. E essa foi a maior surpresa de Dublin, o manancial de emoções que me proporcionou, a forma como me fez viver a cidade. Para mim, Dublin será sempre esse rasgo de luz, essa janela aberta para jardins em flor, aquele passeio à beira-rio com as águas espelhadas rasgadas apenas pelo elegante desfilar dos cisnes, aquela sensação de espanto e deslumbramento a cada momento. Aqueles dias felizes. Não foi por ser diferente do que eu esperava que Dublin me deixou surpreendida. Foi por me ensinar uma felicidade descomplicada com a qual não contava.
O QUE SABER ANTES DE IR
Situada no estuário do Rio Liffey, com uma área de cerca de 115 quilómetros quadrados e uma população estimada de aproximadamente meio milhão de pessoas em 2025, a capital da Irlanda é uma cidade relativamente pequena, mas que consegue concentrar uma variedade notável de museus, galerias de arte, catedrais medievais, praças georgianas, amplos parques e majestosos edifícios públicos. Da literatura à música, da cerveja ao whiskey, dos museus de renome internacional às prestigiadas universidades, muitos são os interesses que a cidade desperta. O turismo tem sido, aliás, uma das atividades que tem contribuído para o desenvolvimento económico de Dublin, hoje conhecida como um verdadeiro centro global de inovação, com gigantes da tecnologia (como a Google e a Microsoft) a fazerem da cidade a sua sede europeia e com várias empresas de relevância mundial, dedicadas às ciências farmacêuticas e biotecnológicas, a operarem na cidade. Com ordenados médios a rondar os 4.500 euros (brutos), o custo de vida em Dublin tem vindo a aumentar, com o preço dos alojamentos a representar o maior encargo para os dublinenses (chegando um T1 no centro da cidade a ultrapassar os 2.000 € de renda mensal). Ainda assim, a cidade mantém um estilo de vida relativamente descontraído, com uma forte tradição de convívio social, e com cafés e pubs espalhados um pouco por todo o lado, o que ajuda a criar uma atmosfera acolhedora e acessível. Por ter um clima marítimo temperado, sinónimo de temperaturas relativamente amenas, mas de grande imprevisibilidade, com cerca de 199 dias de chuva por ano e uma brisa constante que faz descer a sensação térmica, Dublin é daquelas cidades em que se podem viver as quatro estações do ano num só dia: é possível sair de manhã com sol, passados 10 minutos apanhar chuva, depois ser fustigado por vento forte e voltar a ver o sol mais tarde, tudo num único dia. Esta imprevisibilidade parece fazer parte da própria experiência da cidade, habituada a lidar com o que quer que lhe esteja reservado. O melhor mesmo é não condicionar muito os planos ao estado do tempo e preparar-se para todas as eventualidades, adotando o espírito local. As atrações são muitas, e naturalmente as visitas dependerão do interesse de cada um, mas por se encontrarem concentradas numa área relativamente pequena, uma estadia de três dias, bem aproveitados, será suficiente para desfrutar do melhor que a cidade tem para oferecer. Deixe-se perder pelas ruas, desfrute das margens do rio e da vista das pontes que o atravessam, relaxe nos parques e surpreenda-se com a gastronomia local. No fim, vai perceber que Dublin, apesar de caber num passeio a pé, é suficientemente rica para continuar a seduzir muito depois de se ter partido. Aqui fica o nosso roteiro.
TRINITY COLLEGE, THE OLD LIBRARY & THE BOOK OF KELLS EXPERIENCE
Acordámos para uma manhã de céu azul, habitado aqui e além por nuvens brancas que mudavam a cada passo a luz e a aparência dos edifícios que iam desfilando perante nós. Ora resplandecentes, à medida que eram inundados pelo dia, ora ofuscados pela sombra húmida e fria que as nuvens lançavam sobre eles. O plano era dedicar a primeira manhã em Dublin à Old Library de Trinity College e à Book of Kells Experience. Fundada em 1592 pela Rainha Elizabeth I, Trinity College é a universidade mais antiga da Irlanda e uma das mais antigas da Europa. Ocupa uma impressionante área de mais de 12 hectares e confunde-se com a história da cidade, de que se fez centro. Com antigos alunos de renome como Samuel Beckett ou Oscar Wilde, Trinity College tem desempenhado um papel fundamental na vida de Dublin, elevada a "Cidade da Literatura" pela Unesco em 2010. A primeira impressão assim que chegámos foi a de que estávamos numa espécie de palco, de ambiente cénico, cruzado ao longo dos tempos por figuras e acontecimentos que moldaram a história. Um daqueles sítios especiais em que sentimos o devir do tempo, o dia que foi ontem e que afinal teve lugar há mais de 250 anos, quando um grupo de estudantes matou Edward Ford, vigilante da Universidade, a quem foi depois dedicada uma estátua junto ao Portão Principal, e cujo fantasma se diz ainda hoje rondar a Biblioteca durante a noite; ou o dia que foi ontem, esse dia em que, em 1911, foi admitida como estudante a primeira mulher em Trinity College; dias que, como o de hoje, nos trouxeram até este local, até este momento, até este agora. Dentro do edifício da Old Library é impossível não ficar deslumbrado com a Long Room, a maior biblioteca da Europa instalada numa única divisão, com cerca de 65 metros de comprimento. Um túnel de livros, cravado em madeiras antigas, com escadas que se erguem em direção a uma altura maior que o tempo, a um céu impossível, que nos recorda que há tesouros que assombram, sejam eles livros, estátuas ou simplesmente o cheiro dos séculos que se adensa no ar. Apesar de muitos livros terem sido retirados para restauro (ao todo, a Biblioteca abriga cerca de 200.000) e de muitas prateleiras estarem vazias, o conjunto é tão impressionante que parece ter vida própria, e é tão rico que valerá sempre a pena visitá-lo. Para além da harpa medieval, feita de carvalho e salgueiro, que serviu de modelo para o símbolo nacional da Irlanda, a Biblioteca expõe ainda um dos poucos exemplares da Proclamação da República Irlandesa de 1916 e o famosíssimo Book of Kells. Temporariamente encontra-se também em exposição na Long Room a instalação "Gaia", obra de Luke Jerram, que oferece uma vista tridimensional do planeta, como se fosse observado a partir do espaço, num contraste perfeito entre a ancestralidade dos livros e a tecnologia das imagens de satélite da NASA, entre a minúcia da obra humana e a grandeza do universo. O destaque da Old Library vai, porém, para o Book of Kells e para a Book of Kells Experience. O Book of Kells é um manuscrito ricamente ilustrado, datado de cerca de 800 d.c., que contém os quatro evangelhos do Novo Testamento e que recebeu o nome da Abadia que foi a sua morada durante séculos, no Condado de Meath. Em 1953 foi encadernado em quatro secções separadas, para possibilitar a visualização das suas páginas ornamentadas ao lado do texto e está atualmente em exibição, em grande destaque e com fortes medidas de segurança, na Old Library. Figuras humanas, de animais e criaturas míticas, a par de nós celtas e padrões entrelaçados em cores vibrantes, dão vida às páginas do manuscrito, de que restam atualmente apenas 340 folhas de pergaminho. A cada 12 semanas são escolhidas duas novas páginas para exibição, mas existe uma versão digital que permite consultar todo o manuscrito. A história a ele associada é quase tão rica como as ilustrações que o ornamentam e envolve saques vikings e até um período em que terá estado enterrado, até ser enviado para Dublin em 1661 e entregue em Trinity College, lá permanecendo em segurança até aos dias de hoje. Estas e outras histórias fazem parte da experiência digital oferecida aos visitantes na Book of Kells Experience, instalada no Pavilhão Vermelho, no exterior da Old Library. É uma viagem imersiva ao universo do Livro, à sua história, contada com rigor e com imagens que nos transportam para o interior desta que é considerada uma obra-prima da arte insular. Mas Trinity College oferece mais aos seus visitantes, o campus é ele próprio uma atração. Com edifícios de diferentes épocas e estilos, adornado com jardins e árvores tão antigas como o tempo que ali se respira e repleto de esculturas que enriquecem a vista, é aqui que reside o maior conjunto monumental dos séculos XVIII e XIX de toda a Irlanda. Entre eles conta-se o Campanário, proeminente torre sineira, que com os seus 30 metros de altura, se assume como elemento chave do património arquitetónico da universidade, erguendo-se acima dos telhados e do verde que se espraia a seus pés, abrigando na sua sombra a estátua em bronze de William Lecky, reputado parlamentar irlandês, como que num jogo de silêncio, num diálogo sem falas, a que assistimos como espetadores, fora do tempo e do espaço. Esse espaço que depois nos assalta nas muitas esculturas que o campus acolhe, de que a obra "Sfera con Sfera" do artista italiano Arnoldo Pomodoro será apenas a mais conhecida. Vale a pena deixar-se ficar, absorver a atmosfera e deleitar-se com a vida que acontece em Trinity College. Hoje, como no século XVI, Trinity College será sempre o epicentro de algo acontecer.
TEMPLE BAR, HA´PENNY BRIDGE & THE SPIRE
Depois de um almoço em forma de piquenique nos jardins de Trinity College, seguimos para Temple Bar, o bairro mais famoso de Dublin, o local onde todos os caminhos vão dar, conhecido pela sua agitada vida noturna, mas também pelo seu irreverente cunho cultural. Vibrante, enérgica, repleta de pubs, restaurantes e galerias, a Dublin de Temple Bar revela-se tão colorida como as fachadas dos edifícios que se sucedem em vielas estreitas de feição medieval e tão eletrizante como o frenesim dos que a calcorreiam noite e dia. Preferimos galerias a pubs e por isso deixámos para trás o Temple Bar Pub (aberto desde 1840 e, dizem, com uma oferta de mais de 450 diferentes tipos de uísque) e abrigámo-nos na Temple Bar Gallery + Studios, um complexo composto por estúdios de artistas e uma galeria de arte contemporânea que oferece exposições temporárias interessantíssimas, como a que pudemos visitar, da artista polaca Katarzyna Perlak (Better a Bare Foot Than None), com esculturas e instalações, muitas incorporando objetos do quotidiano, a evocar memória e saudade. Daí ao Rio Liffey é um saltinho. A zona deve, aliás, o seu nome a um antigo banco de areia (bar) e a Sir William Temple, professor e filósofo, que escolheu o local para construir a sua morada. Cortando a cidade ao meio, como dois ventrículos de um coração que bate a uma só velocidade, o Liffey pressente-se por todo o lado, ramificando-se em vários canais que serpenteiam pelo espaço urbano, oferecendo margens sem fim, que apetece percorrer, e pontes feitas para atravessar. A mais icónica é sem dúvida a Ha´Penny Bridge. Construída no ano de 1816, toda em ferro, esta ponte pedonal foi oficialmente batizada como Wellington Bridge, mas acabou por ser chamada pelos dublinenses de Ha´penny Bridge, já que para a atravessarem tinham de pagar portagem de halfpenny . Foi por lá que seguimos em direção a O´Connell Street, uma das principais artérias da cidade, e lar de vários edifícios históricos, como a Agência Central dos Correios (essa mesmo onde em 1916, num dia 25 de Abril, foi lida a Proclamação da República), e de esculturas e estátuas que merecem um olhar atento e que celebram o passado da cidade. Para além de se poder avistar James Joyce, é também aqui que se encontra uma das mais altas esculturas do mundo, "The Spire", também conhecida como Torre do Milénio ou Monumento de Luz, uma gigante agulha com cerca de 120 metros de altura que parece desafiar as leis da física e que substituiu a antiga Coluna de Nelson, destruída por um atentado à bomba perpetrado em 1966 por antigos membros do IRA. O destino final do nosso períplo pela cidade neste dia ficaria um pouco mais à frente, junto ao Garden of Remembrance: a Hugh Lane Gallery.
HUGH LANE GALLERY
Instalada num edifício datado de 1763, a Hugh Lane Gallery, ou Dublin City Gallery, como também é conhecida, situa-se na Parnell Square e é o lar, desde 1933, da coleção de arte de Hugh Lane. Mas a sua história começa muito antes. Em 1908, Hugh Lane fundou a primeira galeria pública de arte moderna do mundo, instalada de forma provisória na Rua Harcourt. A partir desse momento, iniciou uma longa e persistente batalha para assegurar, junto das autoridades irlandesas, o financiamento necessário que permitisse dar uma casa definitiva à sua coleção, especialmente dedicada ao Impressionismo francês. Em 1913, devido a um impasse nas negociações, Lane acabou por deixar em testamento a sua coleção à National Gallery de Londres. Com a sua morte, em 1915, no naufrágio do Lusitania, veio a saber-se que afinal Hugh Lane havia revertido tal disposição, o que causou uma acesa polémica com as autoridades britânicas, que se recusaram a abdicar das obras. A solução foi encontrada em 1959, já depois da instalação da Galeria na sua morada definitiva, que Hugh Lane nunca chegou a conhecer, com os dois países a acordarem num sistema de rotatividade das obras entre as duas galerias. Do acervo em exibição destacam-se obras de Manet, Degas, Renoir e os vitrais de Harry Clarke. A galeria alberga ainda o estúdio de Francis Bacon, que foi doado pela família do artista, em 1998, à Hugh Lane Gallery, e para esse fim transportado desde Londres, com os seus mais de 7.500 objetos, numa recriação de todo o caos que lhe era inerente. Com o seu riquíssimo espólio, a Hugh Lane Gallery complementa a oferta dedicada aos antigos mestres da National Gallery e às criações contemporâneas do Irish Museum of Modern Art (IMMA), assumindo-se como um eixo fundamental no panorama cultural de Dublin. Um território de encontro entre a cidade e a arte que a habita.
ST. PATRICK´S CATHEDRAL
Reservamos o nosso segundo dia na cidade para as atrações mais emblemáticas, começando pela Catedral de St. Patrick, a maior igreja da Irlanda, fundada em 1191, junto a um poço sagrado com o mesmo nome, onde St. Patrick, o santo padroeiro da Irlanda, terá batizado os primeiros convertidos ao cristianismo há cerca de 1.500 anos. É visitada todos os anos por mais de 300.000 pessoas, sendo reconhecida pela beleza da sua arquitetura em estilo gótico, pela sua torre com 43 metros de altura e pelos incríveis mosaicos que cobrem o chão, que invadem de cor o espaço e lhe imprimem um caráter único, com as suas representações de símbolos celtas e trevos irlandeses. Depois de sobreviver a tempestades e incêndios, o edifício sofreu importantes alterações no período da Reforma Protestante, altura em que passou a ser uma igreja anglicana, tendo mesmo chegado a ser abandonada e usada como tribunal, apenas em 1555 tendo voltado à sua condição de catedral. Depois da introdução de várias melhorias no século XVI, no início do século XIX a Catedral encontrava-se novamente em avançado estado de degradação, devendo a sua recuperação à família Guiness, que em 1865 a reinaugurou, devolvendo-a ao esplendor original (o que explica a estátua de bronze de Sir Benjamin Lee Guinness no exterior). Para além dos vitrais, do conjunto de sinos e do órgão (um dos maiores da Irlanda, com 4.000 tubos), um dos elementos mais curiosos da catedral será o conjunto de bandeiras suspensas, a representar os regimentos irlandeses que lutaram em conflitos como as Guerras Napoleónicas e a Primeira Guerra Mundial, sendo que, de acordo com a tradição, uma vez levantadas na catedral as bandeiras não mais poderão ser removidas, permanecendo suspensas até se deteriorarem com o tempo, razão pela qual ainda hoje se encontram no local antigas bandeiras da era vitoriana. A catedral é também a última morada de vários notáveis (na verdade, de cerca de 500, tanto sob o piso da própria catedral como no cemitério exterior), como o primeiro reitor de Trinity College, ou Jonathan Swift, autor de As Viagens de Gulliver. Com tanta história, a catedral impressiona pela sua beleza (o Coro da Catedral e a Capela de Nossa Senhora são realmente deslumbrantes), mas também pelo seu espírito de resiliência e pela forma como tem reivindicado o seu espaço numa cidade que tanto lhe deve e a que tanto se tem dedicado.
DUBLIN CASTLE
A mais importante fortificação da Irlanda foi erguida no local de uma antiga povoação viking, perto do local onde o rio Poddle desaguava no rio Liffey, formando uma pequena poça de maré, conhecida como dubh linn, de onde deriva o nome da cidade. Durante mais de sete séculos foi a sede do poder inglês, e posteriormente britânico, na Irlanda, tendo sido mandado construir pelo Rei João de Inglaterra como fortaleza medieval. Do desenho do Castelo original (com quatro grandes torres circulares nos cantos, ligadas através de muralhas erguidas em torno de um amplo recinto central), já pouco resta, tendo após o grande incêndio de 1684 sido transformado num incrível palácio georgiano dotado de um conjunto de grandes salões de receção, conhecidos como Apartamentos de Estado, onde vivia o Vice-Rei e onde eram organizados bailes, banquetes e cerimónias reais para membros da aristocracia. Em 1831 o complexo foi dotado de uma Capela (conhecida como Capela Real), construída no pátio inferior e concebida pelo arquiteto Francis Johnston em estilo neogótico, sendo famosa pelos seus ricos detalhes, como os elegantes pináculos em pedra no exterior e os requintados vitrais que finamente ornamentam o seu interior. Em 1922, com a independência da Irlanda, o Castelo foi entregue pelo último Vice-Rei da Irlanda a Michael Collins e ao governo do estado irlandês, sendo até aos dias de hoje utilizado para importantes eventos nacionais, como a tomada de posse dos sucessivos presidentes da Irlanda que, desde 1938, decorre no Salão de São Patrício, um dos mais imponentes Apartamentos de Estado. Todos os anos recebe mais de 250 mil visitantes, que através de corredores e sumptuosas salas ricamente decoradas, têm a oportunidade de percorrer espaços outrora frequentados por personalidades tão ilustres como Charles Dickens, a Princesa Grace do Mónaco, Nelson Mandela ou a própria Rainha Isabel II. Entre as figuras famosas ligadas ao Castelo, destaca-se ainda Bram Stocker, autor de Drácula, que lá terá trabalhado entre 1866 e 1878, como funcionário administrativo, numa altura em que ainda não era escritor a tempo inteiro. Atualmente os Apartamentos de Estado e as escavações vikings estão acessíveis aos visitantes, assim como o belíssimo Jardim, formado por um amplo relvado central com serpentes marinhas recortadas na relva e por quatro jardins mais pequenos, um em cada canto, todos adornados com esculturas especialmente encomendadas para o local. O relvado central ficará precisamente no local do antigo "dubh linn", onde os Vikings ancoravam os seus navios e estabeleciam trocas comerciais e de onde hoje se tem uma vista lindíssima para o castelo e para a vizinha Chester Beatty Library, outro dos ícones da cidade e local da nossa próxima paragem.
CHESTER BEATTY LIBRARY
Instalada num edifício georgiano convertido para o efeito, junto ao Castelo de Dublin, a Biblioteca e Galeria de Arte Oriental com o nome do seu fundador, Sir Chester Beatty, é um dos mais preciosos tesouros que Dublin esconde. Conselheiro de Churchill durante a Segunda Guerra Mundial, este engenheiro de minas nascido em Nova Iorque dedicou grande parte da sua vida à busca de manuscritos e peças de arte. O resultado é uma coleção de escritos religiosos (incluindo um dos primeiros papiros conhecidos do Novo Testamento), miniaturas de pinturas persas e mongóis, pinturas em seda chinesas e gravuras em madeira japonesas, que a cada passo deslumbram os visitantes. Organizada em dois temas, Artes do Livro e Tradições Sagradas, e dividida em dois pisos, a coleção permanente, com objetos desde 2.700 a.c. até à atualidade, é uma importante atração cultural, com peças de grande raridade, muitíssimo bem conservadas, que desvenda, a cada passo fragmentos de culturas tão distantes no tempo e no espaço e ao mesmo tempo surpreendentemente tão próximas de quem somos.
CHRIST CURCH & DUBLINIA
Depois de um almoço bem irlandês, e com as energias retemperadas, seguimos para Dublinia. Situado num edifício vitoriano neogótico de 1875, construído sobre a igreja medieval de St. Michael, este museu interativo dedicado à Dublin Viking e Medieval é mais do que uma lição de história. É uma viagem imersiva ao passado de uma cidade que se fez de guerreiros vikings, de escravos, de crimes e castigos, de feiras e de jogos, tudo no meio de ruas sujas e apertadas e casas exíguas, recriadas de forma notável para proporcionar aos visitantes um vislumbre do que seriam as condições de vida na altura. Para os mais novos, há imensas atividades interativas, muitíssimo interessantes que elevam a experiência e a tornam inesquecível, levando-os a sentirem-se, ainda que por breves momentos, como verdadeiros vikings num ambiente envolto em mitos e mistérios. No final da visita podem ainda subir-se os 96 degraus da torre medieval que pertenceu à Igreja de St. Michael e daí avistar a cidade de uma outra perspetiva. É também possível percorrer o arco que liga o edifício do Museu à Catedral de Christ Church, através de uma passagem ladeada de vitrais, que vista do exterior, com a sua aparência apalaçada, cria uma das imagens mais icónicas da cidade, e também, uma das minhas preferidas. Fundada em 1038, a mais antiga das Catedrais de Dublin, é uma esplêndida obra de arquitetura, sendo considerada a primeira edificação de pedra da cidade. A nave gótica, datada de 1226, é soberba e os pormenores são tantos e tão ricos que deixam qualquer um facilmente rendido à beleza do conjunto. Aqui destacam-se, uma vez mais, os azulejos, com as suas representações de raposas vestidas como peregrinos ("foxy friars"), um padrão exclusivo da Christ Church, alguns ainda do século XIII, outros já reproduções vitorianas do século XIX, usadas no restauro do edifício levado a cabo entre 1871 e 1878 (este custeado por um destilador de whisky, Henry Roe). À semelhança da Catedral de St. Patrick, também a de Christ Church sofreu grandes danos ao longo dos séculos, como a ruína da abobada em 1562, que fez com que até hoje a parede norte tenha uma inclinação de cerca de 45 cm. Uma das características mais invulgares do edifício é a cripta original, a estrutura mais antiga ainda em uso em Dublin, que se estende por todo o comprimento da catedral, por mais de 63 metros e que acolhe a exposição "Treasures of Christ Church", composta por manuscritos, pratas reais e diversos artefactos que contam os cerca de 1.000 anos de história do local. É ainda no subsolo que é possível ver alguns dos luxuosos figurinos da série de televisão "The Tudors", que teve como cenário a catedral, bem como o rato e o gato que ficaram presos dentro de um tubo do órgão da catedral durante uma caçada nos anos de 1860 e ali permanecem mumificados. No exterior, a envolvente é encantadora. Bancos de jardim dispõem-se em redor de um grande relvado, enquanto flores cuidadosamente distribuídas ao longo de todo o espaço o enchem de cor, num contraste belíssimo com a austeridade das paredes de pedra da Catedral, que coroam todo o cenário. Um local único, de uma autenticidade desarmante que seduz pela beleza e pela atmosfera que o envolve. Um lugar onde a felicidade se adivinha no ar...
IMMA
Marcámos como ponto de partida para o nosso terceiro (e último) dia em Dublin o IMMA. O Irish Museum of Modern Art, instalado no edifício do antigo hospital de Kilmainham, datado do século XVII, é todo ele dedicado à arte moderna e contemporânea. Inspirado no Les Invalides de Paris, o edifício organiza-se em torno de um pátio e o seu interior possui longos corredores que percorrem uma série de salas interligadas, funcionando muito bem como palco para a exibição de arte contemporânea. A coleção permanente é composta por mais de 3.500 obras de artistas irlandeses e internacionais, entre pinturas, esculturas, instalações e arte vídeo, com nomes como Rembrandt, Goya, Louise Bourgeois, Marcel Duchamp ou Roy Lichtenstein. O museu apresenta ainda várias exposições temporárias, que refletem as mais recentes tendências da arte contemporânea. À data da nossa visita, estava patente a exposição "Apprehensions", do artista britânico de origem paquistanesa Hamad Butt, apresentada nas House Galleries do IMMA, como num microcosmos à parte, potenciando o próprio espaço, mais intimista, quase como uma casa de família, a beleza e a violência transportada em cada obra, deixando respirar o próprio medo, esse sentimento-lugar que trespassa toda a obra do artista, como nas instalações "Transmission" e "Familiars" ou na séries de pasteis (sem título) também em exibição. Estava ainda patente, no âmbito do projeto "Living Canvas at IMMA", a obra "Alchemy", da artista irlandesa Clare Langan, apresentada num ecrã exterior de grande escala com programação contínua de vídeo e cinema de artista. O filme, que explora temas centrados na ligação visceral entre o ser humano e a natureza em tempos de crise climática, oferece imagens poderosas e uma banda sonora que transporta o visitante para um ambiente onírico muito bem construído. Tudo isto servido nos jardins do Museu, povoado de esculturas e de enormes árvores, a lembrar a ancestralidade do lugar, num ambiente que apela à introspeção, que submerge o ruído do mundo e deixa apenas à superfície, à flor da pele, a arte. A arte apenas.
NATIONAL GALLERY
Seguimos depois para a National Gallery, lar de uma vasta coleção de arte irlandesa e europeia da Idade Média até ao século XXI. A exposição encontra-se distribuída por várias alas, que foram sendo construídas ao longo do tempo, a primeira das quais (a Ala Dargan) em 1864 e a mais recente (a ala Millennium) já em 2002, apresentando um estilo marcadamente contemporâneo que cria um contraste muito interessante com as secções históricas da galeria. A coleção deste importante museu, com mais de 15.000 obras, divide-se em três pisos, num total de 48 salas, dedicadas a várias eras e escolas, exibindo, entre outras, obras de Vermeer, Caravaggio, Degas, Monet, Goya, Van Gogh ou Picasso. No terceiro piso, destaca-se a Grand Gallery, um salão monumental de arquitetura clássica com tetos altos e uma decoração rica em detalhes, que proporciona uma experiência verdadeiramente imersiva pela história da arte. Entre os espaços mais majestosos da galeria original destaca-se ainda a Shaw Room, no primeiro piso. Rodeada por colunas corínticas e coroada por um teto ricamente decorado com motivos irlandeses, como harpas e trevos, a sala apresenta, numa das suas extremidades, duas escadarias curvas gémeas que conduzem à Grand Gallery e que acentuam a atmosfera de elegância e luxo do conjunto, sublimada pelo brilho quase incandescente dos lustres. Para além da icónica obra clássica da Daniel Maclise ("The marriage of Strongbow and Aoife"), esta sala acolhe ainda a instalação de 2022 do artista irlandês Hughie O´Donoghue, formada por seis pinturas de grandes dimensões, o que cria uma interação muito interessante entre passado e atualidade, num diálogo intenso e verdadeiramente arrebatador para os sentidos. De fácil acesso, com entrada pela Merrion Square, a National Gallery fica no coração da Dublin georgiana, muito perto de outras grandes atrações, como Trinity College, a movimentada Grafton Street e o emblemático St. Stephen´s Green, outro dos ícones do nosso roteiro do dia, para onde seguiríamos depois de um almoço maravilhoso num dos restaurantes mais antigos de Dublin….
JARDINS, PARQUES & PRAÇAS
Por termos visitado Dublin na primavera, tivemos a oportunidade de conhecer uma cidade cheia de vida, com jardins, parques e praças repletos de dublinenses a aproveitar o sol e de visitantes (como nós) agradecidos pelo bom tempo com que a cidade os recebeu. Em plena Dublin georgiana, a dois passos da National Gallery e da National Library, encontramos Merrion Square, a praça georgiana mais bem conservada da cidade, cuja construção remonta a 1762, toda ela rodeada pelas famosas casas de tijolo vermelho com portas coloridas (em que as janelas dos pisos superiores são mais pequenas que as dos pisos inferiores, um truque usado para fazer com que as casas pareçam mais altas). É aqui, no pequeno parque que esconde, que se encontra a escultura em tamanho real de Oscar Wilde, inaugurada em 1997, que representa o escritor deitado numa enorme peça de granito e que foi esculpida com pedra irlandesa naturalmente colorida, em homenagem ao escritor que, em vida, habitou no n.º 1 de Merrion Square. A uma curta distância, que se alcança por meio de avenidas movimentadas, situa-se um dos mais conceituados parques da cidade: St. Stephen´s Green. Fundado em 1660 e reformulado em 1880, é um verdadeiro oásis no coração de Dublin, que encanta com os seus canteiros de flores, relvados a perder de vista, clareiras, lagos e fontes. Com cerca de nove hectares e caminhos cruzados que parecem não ter fim, este parque vitoriano é um refúgio de tranquilidade no meio da agitação da cidade. Um dos seus pontos mais populares será sem dúvida o Lago dos Patos, atravessado por uma pitoresca ponte e com uma cascata artificial, sera o lugar ideal para observar a vida selvagem. É tão querido pelos dublinenses que, segundo conta a história, durante os combates da Revolta da Páscoa de 1916, os combatentes de ambos os lados faziam tréguas diárias para que o guarda do parque pudesse alimentar os patos. O parque conta também com várias estátuas e importantes monumentos como o imponente Arco dos Fuzileiros, um majestoso portão de granito na entrada da Grafton Street, o memorial a W.B. Yeats e uma pequena igreja em estilo bizantino, construída em 1856. Seguindo pela Harcourt Street, chega-se depois ao Iveagh Gardens, um jardim de dimensões menores, mas que encanta pelo seu charme, com bosques e zonas selvagens que parecem saídas de outro tempo e espaço e que oferecem uma atmosfera mais tranquila e isolada, muito por conta dos muros altos que o rodeiam e que bloqueiam praticamente todo o ruído da cidade. Estes jardins foram desenhados em 1865, e ao contrário da planta aberta e circular do St. Stephen´s Green, o layout aqui é geométrico e formal, tendo sido concebido quase como se se tratasse de uma casa com diferentes divisões, só que ao ar livre, algumas com elementos mais românticos, como as grutas ou a grande cascata que funciona quase como uma instalação sonora. Como é menos conhecido, será o sítio perfeito para um piquenique sossegado ou para ler um livro longe das multidões. Porque as viagens também se fazem de momentos assim, em que apenas importa ficar, deixar o tempo correr e o momento ganhar forma na nossa memória.
COMER EM DUBLIN
Entre as surpresas que Dublin nos reservava, a gastronomia destacou-se com distinção. Não estávamos à espera de comer muito bem em Dublin e a verdade é que comemos muitíssimo bem. Para além do nosso piquenique no campus de Trinity College com comida comprada por ali, na zona da Grafton Street, e dos jantares que fizemos no hotel, também eles excelentes, acabámos por descobrir por mero acaso dois restaurantes que achámos incríveis e onde comemos muito bem: o Christchurch Inn, mesmo junto à Catedral, e o Lincoln´s Inn, ao lado da National Gallery, no n.º 18 da Lincoln Place. Ambos com um ambiente e decoração tipicamente irlandeses, servem pratos caseiros tradicionais e oferecem uma variedade incrível de cervejas artesanais. Para além do tradicional fish and chips, bem estaladiço e servido com umas batatas fritas de chorar por mais, o Christchurch Inn é também conhecido pelo seu estufado de carne de vaca, cozinhado lentamente em molho de cerveja Guiness, o Guinness Beef Stew, um prato de carne tão tenra e suculenta que literalmente se desfaz na boca… Já no Lincoln´s Inn a sopa de peixe e marisco (Seafood Chowder), com a sua base de um creme bem aveludado e peixes frescos e mexilhões, é um daqueles pratos que fica na memória muito depois da última colher… Igualmente delicioso, o Beef & Guinness Pie, uma tarte de carne de vaca com Guinness servida com batatas fritas e salada, é puro conforto em forma de prato… Mas para mim a ideia vencedora, aquela que me conquistou e me fez querer ficar na Irlanda para sempre, é a de servirem como acompanhamento, no próprio prato principal, uma generosa fatia daquele pão maravilhoso de soda integral (o brown soda bread) pronta a ser barrada com manteiga… Haverá coisa melhor que pão com manteiga (irlandesa e bem salgada) a acompanhar um delicioso prato de comida quente? A textura densa e húmida do pão com a manteiga salgada a impregnar-se ligeiramente na sua superfície chega a ter qualquer coisa de transcendente… É uma verdadeira instituição nacional. Das sobremesas, então, nem se fala... A par do clássico crumble de maçã, dos brownies de chocolate e dos variadíssimos tipos de cheesecake, o típico sticky toffee pudding eleva qualquer refeição a puro deleite… Como resistir a um húmido (e doce) bolo de tâmaras, servido quente com um molho de caramelo? Claro que a experiência deve muito da sua autenticidade à atmosfera de pub de bairro, genuína e sem artifícios, vivida quer no Christchurch Inn, quer no Lincoln's Inn. Imagine-se o meu espanto quando, estando a meio da minha sopa de peixe no Lincoln´s Inn percebo que este pub, com mais de 200 anos de existência, tem uma história profundamente ligada à literatura e aos escritores de Dublin, tendo sido o lugar em que o próprio James Joyce terá conhecido a mulher, Nora Barnacle, e onde por ela esperava todos os dias, ao final da tarde, até que esta saísse do Hotel Finn, mesmo ao lado, onde trabalhava como camareira? No fundo é neste cruzamento de sabores, memórias e histórias que Dublin oferece que a experiência de a conhecer, também à mesa, se torna verdadeiramente inesquecível. Se a comida nos reconforta, a história, essa, faz-nos querer demorar.
ONDE FICAR
Para a nossa estadia de três noites em Dublin, procurava um Hotel que resumisse o que para mim era o espírito da cidade: um lugar vibrante, tão colorido como as portas das casas georgianas ou as fachadas dos seus vários pubs, e com aquela energia contagiante que Dublin tem. Encontrámos tudo isso no NYX Hotel Portobello, um hotel contemporâneo e cheio de personalidade, localizado na zona de Portobello, mesmo junto ao Grand Canal e a uma curta distância de importantes atrações como St. Patrick´s Cathedral ou St. Stephen's Green. Com uma estética moderna, vibrante e algo irreverente, apresenta interiores marcados por um design arrojado e um ambiente quase "efervescente", que foge ao registo clássico dos hotéis mais convencionais. A mistura eclética de padrões que dão vida às cadeiras, aos tampos das mesas, às paredes e até às cabeças de tigre em cerâmica que, provocadoras, surgem nas paredes, acentuam a contemporaneidade do hotel, que se assume como um espaço marcadamente urbano com uma forte identidade criativa. Nos espaços comuns, como o lobby, o bar e o restaurante, encontra-se uma atmosfera animada, com música, máquinas de jogos e vários livros de arte e viagens à disposição, transmitindo essa ideia de hotel vivido, sempre em movimento, quase como uma extensão da própria cidade. O grande sofá do lobby, com as suas muitas almofadas coloridas, e o carismático néon rosa e amarelo não deixam margem para dúvidas: estamos, de facto, no sítio certo. Os quartos seguem a mesma lógica: funcionais, modernos, com um toque de design e muito conforto. As camas do NYX Hotel Portobello (são duas de tamanho king size nos quartos familiares) são um puro luxo: altas, com cabeceiras estofadas em pele, e muito bem apresentadas com roupa de cama de alta qualidade e almofadas leves e macias, que convidam ao descanso. A casa de banho, também ela minuciosamente decorada, oferece produtos de higiene muito bons e incrivelmente perfumados (disponíveis também para venda na receção). Para além do pequeno-almoço diário, servido com vista para o Grand Canal e para os transeuntes que, na vida do dia-a-dia, percorrem as suas margens, jantámos duas vezes no restaurante do hotel. Além do ambiente em si, gostámos também muito da ementa, variada e com um bom equilíbrio entre pratos internacionais e irlandeses, todos muito bem confecionados e impecavelmente apresentados. Em suma, o NYX Hotel Portobello, dotado de ótimas instalações e de um serviço irrepreensível, é um hotel que aposta menos no clássico "conforto neutro" e mais numa experiência urbana com atitude, ideal para quem quer sentir o lado mais contemporâneo e criativo de Dublin. Mesmo quando está dentro do hotel.
DICAS & OUTRAS INFORMAÇÕES ÚTEIS
Como
qualquer outra capital europeia, Dublin é de fácil acesso e muitas são as
companhias a operar com destino à capital irlandesa. No nosso caso voámos com a
TAP a partir do aeroporto de Lisboa. Apesar de fazer parte da União Europeia e
de não ser necessário passaporte para entrar no país, uma vez que a Irlanda não
pertence ao espaço Schengen, será sempre necessário passar no controlo de
fronteiras, pelo que se recomenda antecedência (de pelo menos 3 horas) na
chegada ao aeroporto. No destino, o aeroporto (situado a 10 km da cidade) é
bastante organizado e todos os procedimentos decorreram de forma célere. Como é
habitual tínhamos contratado um transfer
privado, que rapidamente nos levou até ao nosso hotel (tudo, como sempre,
tratado com a incansável Tânia Antunes e a GoDiscover, que asseguram a parte logística das nossas viagens para que tudo corra na perfeição). Quanto ao clima, que acaba por
fazer parte da experiência, Dublin é uma
daquelas cidades onde o guarda-chuva, ou o impermeável, nunca é totalmente
dispensável e onde a sensação térmica muda ao ritmo do vento. Abril é um mês relativamente
seco (o período mais "seco" tende a ir de final de maio a agosto) e acabámos
por não precisar de usar guarda-chuva durante toda a nossa estadia. Mas com ou
sem chuva, é fácil deslocar-se pela cidade. Para além dos transportes públicos
(como os autocarros de dois andares que cobrem praticamente toda a cidade ou os
elétricos), Dublin é conhecida por ter um dos maiores rácios de táxis por
habitante. Literalmente, há sempre um táxi a passar por perto. Andar a pé é
também uma excelente opção. A cidade é bastante plana, e os vários canais do
rio fazem com que qualquer deslocação por Dublin se torne num agradável
passeio. Bastará apenas não esquecer que na Irlanda se conduz pela esquerda, o
que na hora de atravessar passadeiras pode causar alguma confusão, com
tendência para se olhar para o lado errado da estrada… A cidade é também
bastante segura. Vê-se imenso movimento, mesmo à noite, e não sentimos
quaisquer constrangimentos mesmo em áreas mais movimentadas, como Temple Bar ou na zona da O´Connell Street. Quanto às principais
atrações, devido ao grande fluxo de turistas, será recomendável reservar a
entrada com antecedência. Nós comprámos antecipadamente os bilhetes para várias
atrações e por isso não enfrentámos quaisquer filas. No caso de Trinity College os bilhetes podem ser
adquiridos no site oficial (www.visittrinity.ie), com a entrada a ser
feita por slots horárias. Também para
a visita aos Apartamentos de Estado há bilhetes online (www.dublincastlte.ie),
assim como para as duas Catedrais (www.christchurchcathedral.ie
e www.stpatrickcathedral.ie). Nas
restantes visitas, comprámos bilhete diretamente no local e não tivemos
qualquer tempo de espera para entrar. Em todas estas atrações, há lojas
especializadas em produtos locais e merchandising
oficial. Muito merchandising. Há
livros e mais livros (as lojas da National
Gallery e do IMMA são uma perdição…), latas de caramelos, canetas, lápis,
cadernos, tote bags, roupa e tudo o
que se possa imaginar alusivo aos símbolos irlandeses. Até a Christ Church Cathedral tem na cripta uma
loja gigantesca com expositores de produtos variadíssimos. Difícil será só
escolher. Em todo o lado é possível fazer pagamentos com cartão bancário
(incluindo nos táxis), pelo que não será necessário usar numerário. Mesmo nos
museus gratuitos (como a National Gallery),
em que é recomendada uma doação, há uns leitores de cartões já previamente
definidos por defeito com o montante de 5 euros, todos com contactless, que são muito práticos, evitando o recurso a dinheiro
físico. Por uma questão de comodidade usámos nas nossas compras o cartão Revolut, que utilizamos sempre em
viagens ao estrangeiro. Apesar de na Irlanda a moeda também ser o euro, este
sistema acaba por ser útil por permitir acompanhar melhor os gastos em tempo
real e, no final da viagem, ainda permite
consultar um mapa detalhado com a distribuição das despesas por país. Convém
ter em conta que é usual na Irlanda deixar gorjeta de 5 a 10% do valor da
compra. Não será uma obrigação, mas um gesto de gratificação que fica bem e por
isso em restaurantes e táxis deve arredondar-se para cima, de forma a cobrir
esse valor. Tal como em Inglaterra, também a Irlanda usa tomadas do tipo G
(britânicas), com 230V de voltagem, pelo que será necessário adaptadores para
viajantes europeus continentais. Com o essencial tratado, restará apenas fazer as
malas e deixar que Dublin aconteça.
