Creta, Grécia

05-08-2025

a 3.050 km de casa...

🎧 The Beach House, Myth    

Há sempre uma energia especial que me invade quando chego a um novo destino. Uma espécie de eletricidade que me acorda, que me sacode do torpor da viagem contada em quilómetros para que se cumpra inteira a viagem contada em aventuras. É uma sensação difícil de explicar, como um formigueiro que nos percorre todo o corpo e nos impele a seguir em frente, a chegar lá. Invariavelmente, a cada novo destino, acredito sempre que algo épico estará para acontecer. Penso que a vida, afinal, estava à espera daquele tempo, daquele lugar, para se revelar, como se até aí estivesse suspensa. Uma respiração que se prende num longo mergulho e que se solta voraz quando voltamos à superfície. Mas, bem vistas as coisas, nada de notável acaba por acontecer. Talvez a ideia de que as pessoas felizes não têm história esteja certa e talvez seja altura de me convencer de que nada de épico me está reservado. Mas depois lembro-me da madrugada em que chegámos a Creta. O nosso voo tinha atrasado quase duas horas à saída de Lisboa (parece que a equipa de terra na Grécia se esqueceu de carregar os passageiros no sistema e o avião aparecia vazio, sem um único passageiro, e por isso sem nenhuma hipótese de embarque) e depois de quatro horas e meia de voo e com algum enjoo e cansaço à mistura, achei boa ideia perguntar ao nosso motorista quanto tempo demoraria o transfer até ao resort. Talvez tenha deixado transparecer algum desalento quando ele me respondeu que seria quase uma hora, talvez se tenha convencido de que tínhamos muita urgência em chegar, ou talvez ele próprio tivesse pressa para acabar o dia de trabalho e seguir para casa, onde o esperava, talvez, uma família como a nossa, uma mesa posta, ou uma cama aberta. Talvez tenha sido por tudo isso, ou simplesmente por razão nenhuma, mas sei que não houve sinal vermelho que o fizesse parar ou limite de velocidade que respeitasse. E ali estávamos nós, às 03h00 da manhã, a 120 quilómetros por hora numa estrada sinuosa, a desafiar todas as regras da prudência e creio que, até, algumas leis da física, numa ou noutra curva mais apertada. Na escuridão que nos acompanhava lá fora, como um manto que cobria a paisagem e nos deixava apenas avistar breves silhuetas de baías, de um lado, e do outro, a presença enorme de escarpas tão altas como a própria noite, não conseguia deixar de reparar naquele gesto. O sinal da cruz. Feito sem pudor, uma e outra vez, tantas vezes, que me levou a crer que seria mesmo o fim, e que ciente do perigo, o nosso condutor invocava o divino, a cada precipício que rasava, a cada descida vertiginosa, de cada vez que pisava o acelerador. Só no caminho de regresso, perceberia que a estrada, essa que liga Chania a Georgioupolis, que sobe e desce, que deixa ver o porto lá em baixo, com barcos tão grandes que talvez tivesse confundido com escarpas, cruza o caminho de várias capelas, lugares de culto, cuja presença próxima levava o nosso motorista a persignar-se, num ato de fé que veríamos repetido tantas vezes ao longo da viagem. Só mais tarde perceberia, ao acordar no dia seguinte para uma manhã tão límpida que dava a impressão de que era ali o princípio de todos os tempos, que o mar à nossa frente, de uma cor indizível de tão transparente e calma, e que as montanhas que nas suas costas se erguiam com cumes brancos tão perfeitamente esculpidos, tinham acabado de ser criados e tinham ali sido dispostos só para os contemplarmos. Só depois perceberia que nada de épico tinha acontecido. Que nada de épico iria, naturalmente, acontecer. Tínhamos chegado, apenas. 

UMA CAPELA SOBRE O AZUL

Os nossos dias em Creta foram todos eles vividos à volta de Georgioupolis, como o centro de um compasso que se iria alargando para nos deixar respirar mais longe. Rebatizada em 1899, em homenagem ao Príncipe Jorge da Grécia, esta modesta vila piscatória, ancorada na foz do rio Almirós, vive toda ela voltada para o Mar de Creta, nome dado à parte sul do Mar Egeu. E é no mar que se encontra o maior dos seus atrativos: a pequena e pitoresca capela de São Nicolau, construída no final de um longo molhe de pedras que avança mar adentro a partir da praia de Georgioupolis. Caiada de branco, e acompanhada por uma bandeira nacional hasteada entre as rochas, que, ao sabor do vento, balança para cá e para lá, imitando o movimento das ondas, destaca-se na imensidão azul das águas como se delas se erguesse em devoção ao santo padroeiro dos marinheiros. Percorrendo as ruas da vila a partir da praça central, com os seus canteiros de flores coloridas e os bancos corridos dispostos ao redor da fonte que de vez em vez lança no alto os seus jatos de água, como um tímido géiser adormecido que subitamente parece recordar a força que esconde, encontraríamos outros sinais dessa mesma devoção. Escondida num pequeno canto perto do porto, a discreta igreja de Santa Bárbara, com o seu exterior todo em pedra, e a sua porta vermelha em ferro e vidro, guarda a imagem da Georgioupolis antiga, de cariz rural e piscatório, destacando-se pelo seu aspeto medieval e pela sua atmosfera íntima e de recolhimento espiritual. Mais à frente, iríamos encontrar ainda a Igreja da Ascensão, onde acabaríamos por nos refugiar após uma forte e inesperada chuvada, que nos levou de beiral em beiral, até esta igreja ortodoxa grega de generosas dimensões, evitando as poças de água que rapidamente se formavam na calçada e fugindo às nuvens escuras que, por cima das nossas cabeças, pareciam anunciar um dilúvio que acabaria por se dissipar. Com uma fachada que mistura tons quentes de terracota com arcos brancos, duas imponentes torres sineiras e um interior ricamente decorado com frescos bizantinos, foi edificada no século XX com uma capacidade muito superior às necessidades da escassa população da vila, servindo como um forte símbolo da identidade ortodoxa grega na região. No exterior, os alpendres e os pequenos jardins no amplo adro murado surgem como um refúgio em relação à agitação da praça central. E depois o rio, a foz do Almirós, atravessado pela ponte antiga, como que a separar dois tempos e dois lugares, o tempo antigo da zona húmida a montante, com a sua paisagem verde, rodeada pelos eucaliptos usados no esforço de drenar os pântanos ali existentes, e o tempo dos barcos, da faina e do porto, a jusante, com os mastros a oscilarem nas águas salobras na promessa do mar. Esse mar que se avista, que se insinua a cada instante, num lugar todo ele voltado para o azul maior do céu.

UM LUGAR MAIOR

Seguindo em direção ao interior, o lago Kournas, o único lago natural de água doce da ilha, surge como uma miragem. Aninhado entre verdes colinas, esconde-se por entre a vegetação para, depois de percorrida a íngreme descida até ao seu leito, se revelar por inteiro. No chão de terra batida e cascalho solto, a sombra das árvores, habitada por cadeiras de madeira, como se de uma sala de estar se tratasse, convida à contemplação dos tons de azul de que se pinta: ora escuro no centro, ora turquesa nas margens. Os vendedores de passeios de gaivota, com as suas bancas improvisadas (ainda que a exploração turística do lago pareça negócio montado desde há muito), atraem os clientes e apressam-se a organizá-los em filas. Ali esperámos pela nossa vez de atravessar o passadiço de madeira construído sobre as águas até que uma gaivota aportasse, deixasse sair os anteriores passageiros e nos levasse a nós a bordo. A visão do lago a partir do seu centro revelar-se-ia ainda mais irreal. As margens ao longe, o eco que nos chegava de risos felizes, a presença da água como um corpo dócil, que tanto nos embalava em correntes leves, como nos desviava da nossa rota, imprimindo aos pedais um peso súbito que era preciso transpor, e o azul que teimava em mudar de tom, faziam da superfície do lago um lugar maior. Regressados a terma firme, ainda bamboleantes do embalo das águas, atentos a cada tábua de que se fazia o caminho, não fossemos escorregar e provar finalmente o azul do lago, despedimo-nos do nosso vendedor, agradecendo muito a experiência, e subimos felizes a longa ladeira que nos separava da estrada principal, toda ela ladeada de lojas de souvenires e produtos cerâmicos, pequenos cafés e vendas de águas frescas. Lá em cima, antes de recolhermos ao táxi que nos esperava, ainda tivemos tempo para um último vislumbre. Encoberto pelas colinas em que se recolhe e pelas nuvens que varriam os céus, despedimo-nos do lago junto à placa que sinalizava o seu acesso, ali mesmo no sítio onde esvoaçante a bandeira nacional reclamava o seu lugar. Um lugar maior. Feito de azul. Como se a cor ditasse a geografia do espaço e do próprio tempo. Em Creta, o azul que domina a paisagem apenas rivaliza com o branco. O branco da espuma das ondas, do casario que se entende longo, das nuvens que esparsas se diluem entre céu e mar e, claro, das Montanhas Brancas, que imponentes se erguem como uma espinha dorsal, atravessando uma boa parte do lado ocidental da ilha. Viria a ser umas das minhas recordações preferidas da viagem: essa de ressurgir de um mergulho lento, nas águas quentes e calmas do mar, e de, sem aviso, encontrar com o olhar de quem nada procura, os cumes pintados de branco da Lefká Óri. O silêncio salgado daquela visão, o espaço desafogado à minha frente, todo feito de uma natureza tão primitiva, é um dos lugares felizes onde, na minha memória, volto uma e outra vez. Como o passeio à beira-mar que fizemos para vermos o pôr-do-sol, esse astro rasteiro que invadia o céu de um tom dourado impossível de dizer, a tocar primeiro nas dunas selvagens, a esconder-se na vegetação e depois quase a tocar as montanhas, quase a descer ao mar, até por fim se eclipsar num rasgo de luz morno. Mas acima de tudo, o tempo a correr lento, a agigantar cada momento, a fazer ressoar a paisagem de um modo que talvez só exista pela lente em que a vivi. A praia a perder de vista, tão vasta, tão vazia, o mar a aproximar-se em sucessivas vagas e a altura das montanhas a perder-se na imensidão do azul do céu. 

O PRINCÍPIO DO TEMPO 

Na pequena loja em frente ao Museu de Arqueologia, encontro um guia de bolso sobre Rethymno. "A alma de Creta", lê-se em letras vermelhas, desenhadas em itálico, logo abaixo do título. Tínhamos entrado na cidade velha pela Porta Guora, um arco em pedra construído pelos venezianos, que emoldura a rua Ethnikis Antistaseos, a partir da qual se entra no labirinto de ruas estreitas, povoadas de lojas, cafés, esplanadas e sítios históricos que formam uma espécie de organismo vivo, como se as ruas tivessem vontade própria e ditassem o rumo de quem as percorre. Procurando as sombras, por vezes curtas, que os edifícios lançavam sobre a calçada, seguimos até ao Museu de Arqueologia, instalado no coração da cidade, numa antiga igreja veneziana do século XVI. Lá dentro, os 3.500 anos de civilização que o meu guia de bolso anunciava. Paro diante daquela imagem. Um vaso quase intacto, primorosamente decorado com espirais contínuas, flores de papiro, lírios, açafrões e alcaparras. Ao lado, um outro artefacto, próprio para fazer lume, e a legenda comum a ambos, "encontrados no interior de uma câmara funerária escavada na rocha, datada de 1425–1390 a.C., em Stavromenos, e diretamente associados ao fabrico de perfumes". Petrifico naquela data, 1425 a 1390 a.c. 3.500 anos de civilização. "O vaso de cozedura com tampa de caixa de fogo era utilizado para extrair substâncias aromáticas das ervas através de destilação a seco, recorrendo a baixa temperatura e evaporação. A delicada píxide com coador, ricamente decorada era utilizada na produção de óleos aromáticos", continua a legenda. Quanto tempo passou desde então até agora? Há quanto tempo estou imóvel diante desta imagem? Quanto tempo dura este momento? Mais à frente detenho-me na visão de um dos sarcófagos de terracota, datado de 1370 a 1340 a.c. Em forma de caixa, reproduz cenas de caça a cervos, que sugerem um além-vida de abundância e recreação. Seguem-se as joias, tantas, de variadas formas e feitios, resplandentes nos metais preciosos em que foram talhadas, e depois ainda os frascos de vidro para perfume e muitos mais objetos do quotidiano. Quanto tempo passou desde então até agora? 3.500 anos, diz o meu guia de bolso. Mas o tempo à minha frente não se conta em anos, séculos ou milénios. É uma linha. Tão ténue, tão frágil, que nos aproxima de instantes longínquos como se nada deles nos separasse afinal. Seguimos depois para a Fortezza, onde essa linha se imprime nas muralhas, imensas, tão altas à entrada da Porta Central que sentimos que fomos feitos numa outra escala. Seres minúsculos num cenário de gigantes. Construída pelos venezianos no século XVI, no topo de uma colina, a fortaleza, com a sua estrutura em estrela, que outrora servia para proteger a população contra ataques exteriores, parece hoje fazer parte de uma constelação própria. O vento haveria de nos ajudar a resistir ao calor, expostos que ficaríamos ao sol, naquela paisagem de pedra sobre pedra, com frestas de onde se alcançava o fresco azul do mar. Ao centro, a mesquita do Sultão Ibrahim Han, antes catedral, depois mesquita, com a sua enorme cúpula, conserva na mesma pedra a sucessão dos impérios, dominando o conjunto de ruínas que se espalham pelo interior da cidadela, lembrando a vida que já habitou o local. Dali, a vista sobre o mar e sobre os telhados da cidade velha é como uma respiração funda, que nos devolve à escala humana. A ela regressaríamos, descendo da fortaleza até ao labirinto de ruas estreitas e, de novo, à Porta Guora. Estranharia a razão de ser daquele tipo de construção, com a base de muitos dos edifícios a revelar-se bem mais larga do que a sua parte superior, como se em vez de se erguerem em hirtas paredes, em direção ao alto, tivessem sido moldados à mão, e o seu criador, hesitante na forma, os tivesse deixado assim, derramados sobre as ruas. Não sabia então que era uma característica da arquitetura veneziana, fruto do engenho dos seus mestres, que faziam recuar o centro de gravidade, aumentando a estabilidade da construção e reforçando, ao mesmo tempo, a sua resistência a arrombamentos, incêndios e pequenos sismos. Não sabia também que aquelas varandas fechadas de madeira, como caixas penduradas nas fachadas dos edifícios, que se confundiam com as trepadeiras coloridas e com elas disputavam a atenção de quem passava, eram na verdade uma inovação dos otomanos. Os sahnisi, que funcionavam como uma janela para o mundo exterior, permitindo às mulheres ver sem serem vistas, muitos deles hoje restaurados em cores vibrantes, conferem às ruelas uma atmosfera única, autêntica e pitoresca, que distingue Rethymno de qualquer outro lugar. "A alma de Creta". Desenhada pelo tempo que por ali passa como um sopro. Seguindo o mapa do meu guia de bolso, encontraríamos ainda vagar para saborear um gelado de limão, sentados num banco de jardim com vista para a Porta Guora. Ainda tínhamos tempo.

O FIO DE ARIADNE

Cenário de alguns dos mais conhecidos mitos da Grécia Antiga, como o nascimento de Zeus, o Labirinto do rei Minos ou o Minotauro, Creta, a maior das ilhas gregas, é um dos destinos culturais mais fascinantes do Mediterrâneo. Para além de ter sido o berço da civilização minoica, considerada a primeira grande civilização da Europa, que floresceu entre cerca de 3000 e 1450 a.C., este território do sul do Mar Egeu sofreu a influência de sucessivos povos e impérios. Romanos, bizantinos, árabes, venezianos e otomanos deixaram na ilha marcas que ainda hoje se descobrem nas fortalezas, nos mosteiros, nos portos e na forma como as suas cidades se organizam. Tudo isso se respira em Creta e só por isso se justificaria conhecê-la. Mas depois há as paisagens extraordinárias de que se veste: as Montanhas Brancas, que devido à sua composição em calcário parecem ter sempre os cumes cobertos de neve (o mais alto com 2453 metros), as praias de águas cristalinas, ora abandonadas em extensos areais dourados (ou rosa, como em Elafonisi), ora escondidas em pequenas enseadas, as gargantas profundas escavadas ao longo de milhares de anos, as grutas naturais e as cidades onde fortalezas venezianas, mesquitas otomanas, igrejas ortodoxas e casas coloridas compõem um património arquitetónico singular. Tudo isto acompanhado de uma herança gastronómica autêntica e surpreendentemente rica. Em Creta, o azeite, os produtos da horta, os queijos locais, o iogurte, o peixe fresco e as ervas aromáticas compõem uma cozinha de sabores genuínos, onde a simplicidade é, talvez, o ingrediente mais marcante. Basta uma simples salada de tomate com molho tzatziki (feito à base de iogurte grego e pepino) para ficarmos rendidos a uma ilha que também se faz de sabores. Como o doce sabor das baklavas, tão minuciosamente dispostas em finas camadas de massa filo, tão surpreendentemente estaladiças, tão ricas em aromas. E depois, há as pessoas, os cretenses, que nos saúdam a cada instante com um sorridente "kaliméra", palavra que se ouve a toda a hora, que se imprime em tote bags e estojos, que se lê em peças cerâmicas, como símbolo de identidade de toda uma ilha. Uma ilha talhada no Olimpo, desenhada de raiz como um tesouro, que nos é entregue, assim, na sua autenticidade e enorme simplicidade. Kaliméra.     

O QUE SABER ANTES DE IR

Creta, situada no extremo sul do Mar Egeu, entre a Grécia continental e o Norte de África, é a quinta maior ilha de todo o Mediterrâneo. Conta com cerca de 260 quilómetros de comprimento e estende-se de oeste para leste entre montanhas, planícies férteis, desfiladeiros profundos e centenas de quilómetros de costa. A sua dimensão faz com que, mais do que uma ilha, pareça um pequeno continente, onde cada região revela paisagens, tradições e ritmos muito próprios, tornando difícil conhecê-la por inteiro numa única viagem.

Quando visitar:

Creta beneficia de um clima mediterrânico, com verões quentes e secos e invernos amenos. Entre abril e junho, a ilha cobre-se de flores silvestres e as temperaturas tornam-se particularmente agradáveis para caminhar e visitar os principais locais históricos. Julho e agosto correspondem à época alta, com dias muito quentes, praias mais concorridas e uma intensa animação turística. Setembro e outubro são, para muitos viajantes, os meses ideais: o mar conserva a temperatura acumulada ao longo do verão, os dias continuam longos e a afluência diminui significativamente. No nosso caso, visitámos Creta no início de agosto e encontrámos dias muito quentes, com apenas uma forte chuvada inesperada a interromper uma das tardes em Georgioupolis. O mar, que nos primeiros dias, se fazia de águas calmas e excecionalmente transparentes, a certa altura passou a ter alguma ondulação e chegámos mesmo a ter dois ou três dias de bandeira vermelha, com as águas a manterem-se ainda assim muito quentes e convidativas a longos passeios.

Como se deslocar:

A ilha é servida por dois aeroportos internacionais, em Heraklion e Chania, recebendo voos diretos a partir de várias cidades europeias durante a época alta. Fora dos meses de verão, é frequente que as ligações impliquem uma escala em Atenas ou noutra cidade europeia. Também é possível chegar por ferry a partir do porto do Pireu, em Atenas, embora a travessia seja bastante mais demorada. Nós optámos por um voo charter direto a partir de Lisboa, num pacote da Viajar Tours, operado pela Aegean Airlines. À chegada, tínhamos contratado um transfer privado e nos passeios a Georgioupolis e Rethymno deslocamo-nos sempre de táxi, que funcionam muito bem e têm preços acessíveis. Para quem pretenda explorar uma parte maior da ilha, o aluguer de automóvel será, nesse caso, a opção mais versátil.

Moeda & Língua:

Comparada com muitos destinos do Mediterrâneo Ocidental, Creta continua a oferecer uma boa relação entre qualidade e preço. A moeda é o euro e os cartões bancários são amplamente aceites na generalidade dos hotéis, restaurantes e estabelecimentos comerciais. Ainda assim, poderá ser útil ter algum dinheiro em numerário para pequenas compras ou para cafés. As atrações (como museus ou monumentos nacionais) não têm preços elevados e, no nosso caso, comprámos os bilhetes diretamente no local, sem qualquer reserva prévia, e sem filas à entrada. A língua oficial é o grego, mas o inglês é falado com grande facilidade em praticamente todas as zonas turísticas e os cretenses são excelentes anfitriões, pelo que nunca o deixarão sem resposta.

Onde ficar:

Durante a nossa estadia de 7 noites em Creta optámos pelo Georgioupolis Resort & Aqua Park, situado a poucos minutos do centro de Georgioupolis e a uma curtíssima caminhada da praia. A localização revelou-se uma excelente base para explorar a parte ocidental da ilha, permitindo-nos visitar com facilidade locais como Rethymno ou o lago Kournas, sem abdicar da tranquilidade característica desta pequena vila costeira. Os quartos, amplos e luminosos, oferecem o conforto necessário para recuperar dos dias passados entre praias, cidades históricas e deslumbrantes paisagens. No exterior, as várias piscinas (incluindo o parque aquático) e os jardins cuidadosamente tratados contribuem para uma atmosfera descontraída, onde apetece estar. Uma das maiores surpresas foi, contudo, a cozinha. Com uma oferta variada e de grande qualidade, o restaurante do hotel privilegia muitos dos sabores tradicionais da gastronomia grega, sem descurar opções internacionais, tornando cada refeição um dos pontos altos da estadia. Também na praia, o hotel dispõe de infraestruturas de apoio, onde é possível tomar refeições leves. No Thalassa´s Beach Restaurant, mesmo no areal, é possível saborear uma deliciosa pizza entre mergulhos; No vizinho Thalassa´s Beach Bar as bebidas são servidas das 10h00 à 00h00; e o Sweet Corner faz as delicias de qualquer um, com crepes e waffles servidos em pau de espetada, que é possível acompanhar com um refrescante granizado. As espreguiçadeiras com chapéus ou toldos, dispostas junto à linha de água, e a tenda disponível para jantares privados, complementam o cenário, em que é protagonista o enorme baloiço, que nos embala na contemplação daquela paisagem. Quando o sol desce sobre o areal, há espetáculos de música e dança, que inundam a praia de uma outra vida. Tudo boas razões para ficar. Porque Creta não se revela apenas na sua geografia ou cultura. Descobre-se no franco "kaliméra" que tantas vezes ressoa ao longo do dia e na hospitalidade tranquila de um povo que parece viver ao ritmo da própria ilha.

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